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I Circuito Internacional do Porto
16, 17 e 18 de Junho

O 1º Ferrari a entrar em pista para uma competição em Portugal. O 166MM Berlinetta Le Mans #0042M de cor azul da piloto francesa Yvonne Simon. Embora o 1º Ferrari a dar entrada no nosso país tenha sido o 166MM #0056M (PN-12-81), foi este 166MM #0042M que acabou por inaugurar as participações desportivas da Ferrari no nosso país.


Os Ferrari presentes

Nº2 - Yvone Simon - 166 MM Berlinetta Le Mans #0042M
Nº15 - Giovanni Bracco - 166 S Coupé Allemano #003S


O I Circuito Internacional do Porto foi a primeira competição automobilística disputada em solo nacional, a ver entre os seus inscritos automóveis da marca Ferrari. Inicialmente estavam três Ferrari inscritos, com o nº2 Yvone Simon, com o nº4 Bianchetti e com o nº15 Giovanni Bracco. Destes, Bianchetti não chegou a comparecer. (ausência confirmada pela organização no dia 17).
E no dia 16 de Junho, no 1º dia de treinos oficiais, só estava presente no Circuito da Boavista, o 166MM de Yvone Simon, já que Giovanni Bracco só chegaria no próprio dia da corrida (tal como Bonetto e Emilio Romano).
No dia 17, antes da realização da corrida de motos, tiveram lugar os treinos que definiram a ordem de partida, onde o melhor tempo foi feito por Carini com 3.53.68, tendo Yvone Simon conseguido o 7º tempo com 4.16.11



Resultados dos treinos 


1º - Piero Carini - 3'.53'',68
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7º - Yvone Simon - 4'.16'',11



Giovanni Bracco não treinou



A piloto francesa Yvonne Simon adquiriu este 166MM a Luigi Chinetti nos inícios de 1950.
Tinha cor azul, e após esta corrida, Yvonne Simon juntamente com Michele Kasse, participou com este mesmo Ferrari nas 24 Horas de Le Mans no fim de semana seguinte à corrida do Porto (desistiu por ), sendo mesmo as duas primeiras pilotos femininas a correr na clássica francesa, participação que Simon repetiu, com o mesmo Ferrari, aqui em equipa com Betty Haig (aqui inscritas por Luigi Chinetti), nas 24 Horas de Le Mans de 1951 (23 e 24 de Junho) onde se classificou no 15º lugar final. 
De referir que Yvonne Simon conseguiu a vitória no Circuito de Velocidade de Nice (1 de Abril de 1951). A piloto francesa e o Ferrari de cor azul chegaram ao Porto na quinta-feira anterior à prova, e dirigiu-se por estrada, através das ruas do Porto, à recepção oficial aos concorrentes que se realizou na secção regional norte do A.C.P. 


Nas boxes pode ver-se ao fundo, com o nº15, o Ferrari 166S Coupé Allemano #003S de Giovanni Bracco. O piloto italiano chegou tarde a Portugal, somente no Domingo. Pode ver-se na imagem o nº16, o Cisitalia de Emilio Romano, para além dos Allard J2 de Casimiro de Oliveira e José Cabral.

Perante cerca de 150.000 pessoas e às 15.30h, o engº Ribeiro Ferreira dá a partida para a corrida, que teve um total de quarenta voltas (311Km).  Yvonne Simon largou da 2ª fila e Bracco da 5ª (sem tempo). Do 1º lugar da gralha de partida largou o Pariani-Borella/Osca de Piero Carini, que manteve o comando da corrida.
Na 1ª volta, Yvonne Simon passou pela meta no 8º lugar e Bracco no 9º, mas logo na 2ª passagem Giovanno Bracco parou junto ao stand de reabastecimento e desistiu. Curta a estadia no Porto e breve a corrida do piloto italiano no Circuito da Boavista.

Enquanto que no comando da corrida se encontrava o Alfa Romeo 412 de Bonetto, (posição conquistada logo na 2ª volta) Yvonne Simon conseguiu ainda durante a 2ª volta ultrapassar Manuel Nunes dos Santos, que no BMW 328 de 1971cc corria integrado no mesmo grupo do 166MM de Yvonne Simon, o II Grupo para automóveis entre 1500 cc e 3000cc.
Na 12ª volta, e depois de uma paragem nas boxes de Carini, Yvonne Simon ascendeu ao 5º lugar, para à 14ª de novo Carini ultrapassar a piloto francesa, na reta da meta ao chegar ao Castelo do Queijo.
Com as desistências de Casimiro de Oliveira (Allard) e Achiles de Brito (Jaguar), Simon ascende ao 4º lugar, posição em que terminou a corrida, vencendo o II Grupo na frente de Manuel Nunes dos Santos.
A volta mais rápida de Yvonne Simon aconteceu à 18ª com um tempo de 4'.02,78 à média de 116,277Km/h.

Comentário do jornal "O Volante" à actuação de Yvonne Simon:

"Madame Yvonne Simon mostrou-se uma automobilista de 1ª água. O seu Ferrari andou que se fartou e a elegante  francesa soube conduzi-lo sempre de maneira superior, mostrando toda a sua perícia e a sua longa prática. Tomaram certos homens que se julgam «ases» do volante valer o que vale Yvonne Simon"

Pequena entrevista feita á piloto francesa pelo mesmo jornal:

"Satisfeita?

- Muito. é um belo circuito e o público foi muito gentil. Gostei de vir a Portugal novamente* e voltarei sempre que haja provas e me seja possível a deslocação."


Classificação Final:

1º. Felice Bonetto - Alfa Romeo 412 (4l)
     40 voltas, 2h 40'.15,89 - média de 116,432 Km/h
     V.M.R.: 3'.48,90 (122,280 Km/h)

2º. Piero Carini - Pariani-Borella/Osca (1,4l)
     40 voltas, 2h 41'.19,66 - média de 115,665 Km/h
     V.M.R.: 3'.52,67 (120,299 Km/h)

3º. Thomas Wisdom - Jaguar XK 120 (3,4l)
      40 voltas, 2h 43'.15,03 - média de 114,302 Km/h
      V.M.R.: 3'.59,22 (117,005 Km/h)

4º. Yvonne Simon - Ferrari 166MM Berlinetta LM (2l)
     38 voltas - 2h 40'.39,49 - média de 110,339 Km/h
     V.M.R.: 4'.02,78 (115,289 Km/h)

(um total de 8 concorrentes classificados)


Anexos:


Curioso anúncio datado de 1950, e publicado no jornal "O Volante", onde se pode verificar que o Ferrari 166MM #0042M de Yvonne Simon, foi assistido e equipado, aquando da permanência no nosso país, com algumas peças feitas nas oficinas Acácio.
(Foto: Jornal O Volante/Colecção Manuel Taboada)



(Fotos: Centro de documentação do ACP, via António Menéres) 

Algumas fotos que fiz do 166MM Berlinetta Le Mans #0042M enquanto esteve exposto no museu Enzo Ferrari em Modena.



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IX Circuito Internacional de Vila Real
24 e 25 de Junho


Esta edição do Circuito de Vila Real efectuou-se por um percurso alternativo ao habitual. Em virtude das obras de beneficiação da ponte de ferro que ainda decorriam nessa altura, o circuito fez-se pela ponte de Santa Margarida. A participação de Vasco Sameiro com o Ferrari 166MM foi motivo de grande expectativa por parte do público que não se cansou de o incentivar.
(Foto: Arquivo do ACP)

Em 1950 começaram as participações de automóveis da marca Ferrari no Circuito internacional de Vila Real, através da inscrição de dois carros, uma berlinetta allemano do tipo 166S e uma barchetta Touring 166 MM, para respectivamente Giovanni Bracco e Vasco Sameiro.
Na altura com 3 anos de vida, a marca de Maranello conta já com algumas vitórias de grande importância, a maior das quais em 26 Junho de 1949 nas 24h de Le Mans com o 166MM (#0008M), com Luigi Chinetti e Lord Selsdon a partilharem o volante, e também em 24 de Abril do mesmo ano nas Mil Milhas, provavelmente com o mesmo carro, mas pilotado por Clemente Biondetti/Ettore Salani que já havia ganho em 2 de Maio de 1948 a clássica italiana desta vez acompanhado por Navone e ao volante do 166.S berlinetta allemano. (#003.S).


Os Ferrari presentes

Nº4 - Giovanni Bracco - 166 S Coupé Allemano #003S
Nº10 - Vasco Sameiro - 166 MM Touring Barchetta #0040M


Foi um modelo idêntico ao que ganhou as Mil Milhas de 49 o carro inscrito em Vila Real para Vasco Sameiro. O 166 MM barchetta Touring (#0040M) estava equipado com um motor V12 de 1995cc, com aproximadamente 140 cavalos de potência às 6.600 r.p.m..
O carro que correu em Vila Real foi importado da Scuderia Ferrari por João Gaspar, na altura o representante da Ferrari no nosso País, em Junho de 1950, tendo chegado a Portugal, ao Aeródromo de Pedras Rubras a 22 de Junho, dois dias antes de rumar para Vila Real.

Dia 22 de Junho de 1950. Em ambiente de grande euforia popular, chega a Portugal, ao aeródromo de Pedras Rubras no Porto, o primeiro Ferrari utilizado em competição por um piloto português. A Vasco Sameiro (à esquerda na foto, com a mão sobre o 166MM #0040M) coube-lhe essa honra. Dois dias depois estaria em Vila Real para competir, afinal a razão primeira de qualquer Ferrari.
(Foto: Jornal O Volante/Colecção Manuel Taboada)

Algum tempo antes, Vasco Sameiro deslocou-se a Maranello com a intenção de adquirir um Ferrari para regressar à competição. Com a ajuda de Júlio Anahory do Quental Calheiros (Conde da Covilhã e proprietário da fábrica de pneus Mabor) e de João A. Gaspar (importador da marca para Portugal) o piloto de Braga acabou por adquirir um modelo 166 MM, aquele que era na altura o Ferrari.

Vasco Sameiro conseguiu a volta mais rápida nos treinos, um início fulgurante para a 1ª participação de automóveis Ferrari no Circuito Internacional de Vila Real.
(Foto: Colecção Manuel Taboada)

Vasco Sameiro foi um dos mais virtuosos pilotos portugueses da sua época, e talvez o mais internacional, e os Ferrai foram um dos muitos carros em que mostrou todo o seu virtuosismo. Nascido em Braga, a sua carreira iniciou-se nos anos trinta e no seu currículo contam-se, entre muitas outras, cinco vitórias no circuito de Vila Real, iremos por isso, ao longo destes artigos, falar insistentemente deste piloto.
Vasco Sameiro, com o nº 10, fez o melhor tempo dos treinos à frente de Casimiro de Oliveira e José Cabral, os dois em Allard. Bracco, com o nº 4, ocupou um lugar na 2ªa fila.
A corrida teve um total de 30 voltas, que correspondiam a 221,100 Km. Devido às obras de manutenção da ponte de ferro sobre o rio Corgo, esta edição do Circuito fez-se por uma variante alternativa, mais sinuosa que o traçado habitual, o que talvez tenha favorecido a agilidade do pequeno Osca de Carini.
Giovanni Bracco, também conhecido por “Gioanin”, era o herdeiro de um vasto império têxtil italiano na cidade de Biella, e sempre fez questão de adquirir os carros em que competia, talvez para manter uma certa independência e dar largas à sua fama de bon vivant, gostava de fumar e beber, aliás numa das suas maiores vitória, nas Mil milhas de 1952, onde humilhou o Mercedes 300 SL de Karl Kling, ele próprio afirmou no final que transportou no carro uma garrafa de “Chianti” , que a bebeu claro está, admitindo também ter fumado cerca de 90 cigarros americanos (!!) no decorrer da prova. As más linguas da altura referem que foi um cliente relativamente assíduo do “Coelho” em Vila Real, um dos mais ilustres tascos, representante da proverbial qualidade vinicula da zona. O seu lema nas corridas era: “ O la va o la spacca” (ou vai ou racha), que traduz o seu modo de ser, generoso, simpático, irrascivel e , na opinião de muitos analistas, um dos pilotos mais ecléticos da sua época.


Resultados dos treinos

1º - Vasco Sameiro
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4º - Giovanni Bracco


Imagem da partida onde se pode ver na primeira fila, Vasco Sameiro (Ferrari), Casimiro de Oliveira e José Cabral (ambos em Allard). Na segunda fila, Bracco (Ferrari) e Emilio Romano (Cisitália) e, na receira linha pode ainda descortinar-se Carini (Osca), Bonetto (Alfa Romeo) e o BMW de Manuel Nunes dos Santos.
(Foto: Colecção Manuel Taboada)


Com treze concorrentes na grelha de partida, às 15.30h o Engº Ribeiro Ferreira, presidente da comissão desportiva, dá a bandeirada para o início da prova. Vasco Sameiro toma de imediato o comando da prova, mas é ultrapassado ainda durante a primeira volta por Carini em Osca-Maserati. No final desta volta, Carini fez a melhor volta, com 1.35,64 à média de 96,250. Sameiro surge em 2º lugar a cerca de 15 segundos do piloto italiano. Bracco surge no final da 1ª volta na 5ª posição, no entanto o italiano acabou por desistir na 2ª volta.
Esta diferença cresceu para 24 segundos logo na 2ª volta, aumentando progressivamente até aos 45'' na 4ª volta.
Durante a quinta volta Casimiro de Oliveira ultrapassa Sameiro em Mateus. Na mesma volta, Sameiro pára para substituir todas as velas, e enquanto os mecânicos trabalham, Vasco bebeu tranquilamente uma cerveja, com tudo isto perdeu cerca de 10 minutos. Novamente à 9ª e à 12ª volta o piloto do 166 MM pára sempre com problemas nas velas e até ao final da prova debate-se com constantes problemas mantendo-se em competição apenas por espírito desportivo. 
No final completou apenas 19 voltas, menos uma das vinte que o regulamento exigia para se conseguir classificar.
Os problemas de alimentação do 166 MM já tinham ocorrido durante o habitual teste de estrada feito nas estradas de Maranello, feito no dia 19 de Junho de 1950. O relatório técnico dos responsáveis da Ferrari  referia problemas nesse particular, e por isso aquando da entrega do carro o mesmo vinha com um jogo de velas Lodge RL 51 montadas mas trazia como suplentes um outro jogo de velas Lodge RL 50, para além de um conjunto da Marelli. No relatório técnico a que tive acesso, é aconselhado aos mecânicos que vão tratar do carro um procedimento específico para contrariar a tendência que o carro já mostrava de falhar a quente por insuficiente alimentação de combustível devido à evaporação do mesmo por excesso de caudal. Na altura falou-se de uma má mistura de combustível (a marca já alertava para a qualidade da mistura no seu relatório técnico) ou de uma adulteração do combustível, o certo é que as velas do carro Italiano não resistiram e só um piloto abnegado como Vasco Sameiro seria capaz de lutar contra esta adversidade. A pressa em transportar o Ferrari para Portugal por parte de Vasco Sameiro, e a  ausência de um técnico da marca também não ajudou a que fosse encontrada uma solução eficaz.
Assim esta primeira presença de automóveis Ferrari em Vila Real saldou-se sobretudo por uma demonstração clara de rapidez por parte do 166 MM de Sameiro nos treinos, apesar de também nessa fase se tenham sentido os problemas de velas que apoquentaram esta estreia do 166MM em competição. Como referiu o piloto de Braga no final da corrida ao Jornal O Comércio do Porto: “Avarias constantes nas velas do meu carro a partir, logo, da primeira volta, não me deixaram corresponder aos carinhosos incitamentos que o público e dispensou. Tive muita pena, mas quando estas coisas sucedem nada nos é possível fazer. As velas que vieram no carro, de Itália, não estiveram à altura da sua missão”. (...) “Infelizmente o meu carro não deu o rendimento devido. As velas com que comecei a corrida foram as que vieram da casa construtora, tal como o combustível foi o que de lá me indicaram. As velas derreteram, positivamente. Não compreendo, em boa verdade, este facto, que merece ser averiguado. Tive de por e lado todas as minhas ambições e procurar manter-me em pista até final, para evitar um desagradável abandono”.
Sobre o futuro Sameiro disse: “Em Julho faz precisamente dez anos que pela última vez tinha tomado parte numa prova. Foi em São Paulo, na Corrida Interlagos, em 1940. Agora, já que recomecei, continuo. Engatei e deixe-me prender novamente por esta tão emocionante competição desportiva que é o automobilismo. Já me falaram na possibilidade de tomar parte numa prova no Rio de Janeiro, em Setembro, mas ainda nada há de definitivo. Confesso, porém, que teria muito prazer em voltar ao Brasil, onde sempre fui acarinhado de maneira cativante”

No final da prova e aquando da distribuição de prémios, foi atribuída a Vasco Sameiro a Taça "Colónia Transmontana no Rio de Janeiro" como prova da admiração dos transmontanos pelo piloto bracarense.
De qualquer forma estas actuações deixavam no ar a possibilidade de anos de glória para os carros italianos em Vila Real.

Vasco Sameiro no 166 MM logo seguido por Bracco no 166 S.
(Foto: Jornal O Comércio do Porto/Colecção Manuel Taboada)

Aqui Sameiro na zona da Timpeira, a caminho da curva do "Boque".
(Foto: João Lacerda/Museu do Caramulo)

Na curva de S. Pedro, Emilio Romano no Cisitalia Abarth 204A seguido por Vasco Sameiro e o Allard J2 de Casimiro de Oliveira.
(Foto. Col. Manuel Taboada)

Vasco Sameiro e Casimiro de Oliveira na zona do traçado onde anos mais tarde seriam construídas as novas boxes.
(Foto: Colecção Manuel Taboada)



Classificação final:

1º - Piero Carini - 30 Voltas, 2.16.34,20 / 97,136 Km/h
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Vasco Sameiro - Não terminou - 19 Voltas
Giovanni Bracco - Não terminou - 1 Volta


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Rampa de Santa Luzia - Viana do Castelo
18 de Agosto



Organizado pelo Automóvel Clube de Portugal, o Campeonato Nacional de Rampa de 1950 era composto por um total de cinco provas, a saber:

1 - Rampa do Gradil (Mafra) - 4 de Junho
2 - Rampa da Falperra (Braga) - 2 de Julho
3 - Rampa de Santa Luzia (Viana do Castelo) - 18 de Agosto
4 - Rampa de Sintra - 3 de Setembro
5 - Rampa da Serafina (Lisboa/Monsanto) - 17 de Setembro

Eram atribuídas as seguintes pontuações por prova:

1º - 10 pontos
2º - 8 pontos
3º - 6 pontos
4º - 4 pontos
5º - 2 pontos

Aos restantes concorrentes eram atribuídos dois pontos.

Depois da estreia no IX Circuito de Vila Real, Vasco Sameiro alinhou com o 166 MM #0040M na Rampa de Santa Luzia, que tinha uma extensão total de 3.250m, entre Viana do Castelo e Santa Luzia. Estiveram 18 automóveis inscritos, tendo participado 17. A participação de Sameiro foi uma inscrição à última da hora, ele que estava de partida para o Brasil. 
Vasco Sameiro estava inscrito no Grupo IV, sendo que as partidas eram dadas dos automóveis de menor cilindrada para os mais potentes. O 1º a efectuar uma subida foi José Emídio Silva Júnior que com o Dyna Panhard de 610cc fez um tempo de 3'.05,04 à média de 63,106 Km/h.
Vasco Sameiro chegou ao local da prova no início da tarde, momentos antes da partida, e conseguiu realizar um tempo de 2'.25,90 à média de 80,191 Km/h, tempo que só foi batido já no final da prova pelo Allard de José Cabral, 2'.21.04 à média de 82,955 Km/h.
Sameiro referiu no final que a relação de caixa que utilizou no seu 166 MM não foi a ideal para o tipo de traçado. Após a vitória nesta prova, José Cabral referiu que quando soube da inscrição de Sameiro e do Ferrari achou que muito dificilmente bateria o piloto de Braga, e por isso decidiu utilizar uns pneus mais performantes no seu Allard para além de o submeter a uma cuidada revisão, para além de ter subido várias vezes a rampa a pé para conhecer todos os detalhes do percurso.

Esta acabou por ser a única prova deste Campeonato de Rampas de 1950 disputado por Vasco Sameiro e a sua última competição desportiva ao volante do 166MM #0040M. No final manteria os mesmos 8 pontos que obteve com este 2º lugar na Rampa de Santa Luzia (13º lugar da geral), ficando na frente do dr. João Lacerda que terminou o campeonato com sete pontos.
Vasco Sameiro vendeu de seguida (ainda em 1950) o 166MM #0040M a Miguel Ferreira.

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Entrevista concedida por Vasco Sameiro ao Jornal "O Volante" de 5 de Setembro de 1950



Sobre a participação no IX Circuito de Vila Real:

"Cheguei a Vila Real um dia antes da realização da prova, e como não veio nenhum mecânico da fábrica, a assistência não foi perfeita."

Sobre a participação na Rampa de Santa Luzia:

"Ai não pude tirar da máquina o rendimento máximo. Para provas de rampa, por exemplo, não eram os indicados os pneus que levei. O pinhão era o mesmo de Vila Real, o que também não devia ser. Já vê que a culpa, ainda desta vez, não foi do automóvel. Mas deixe-me dizer-lhe que o facto de eu referir estas coisas, como poderia acrescentar também que não fiz qualquer treino formal, pois cheguei a Santa Luzia ao começo da tarde do dia de prova, o facto de eu lhe dizer isto, repito, de maneira alguma pode contribuir para retirar brilho à vitória do José Cabral. Ele ganhou muito bem."

Sobre o Ferrari 166MM #0040M:

"Vasco Sameiro apontando para o sr. João Gaspar que na sua secretária continuava a trabalhar, enquanto nós conversávamos, disse-nos depois o seguinte:

Não é por ele estar aqui presente, mas quero que registe que o pouco êxito que tenho tido com o Ferrari não é culpa da máquina que é maravilhosa. A adaptação do condutor a ela é que ainda não está "afinada" de todo..."